Meu nome é Thais Cassapian, tenho 31 anos, sou professora e mãe da Luiza, que já completou dois anos de idade.

 

Aqui na nossa família nós brincamos muito. Quando estamos brincando dentro de casa, observamos que a Luiza gosta de explorar os brinquedos disponíveis. Juntos, criamos muitas possibilidades de brincadeiras e talvez esse seja nosso momento predileto: quando podemos brincar juntos. Mas uma brincadeira que observo como uma das preferidas dentro de casa é a brincadeira do papá, quando colocamos alguns bonecos e pelúcias sentados sobre o tapete e oferecemos o papá para todos. Atualmente fizemos um kit com elementos da natureza, que também exploramos de diversas maneira e faz bastante sucesso por aqui. Outras brincadeiras de que gostamos são as que envolvem movimento corporal. Notei que a Luiza tem explorado as possibilidades de seu corpo, por isso fazemos circuitos com cadeiras, pufes e brinquedos. Ela adora! Também brincamos de balança caixão, serra-serra, que envolvem canções, ou mesmo diferentes tipos de elevações: ergo ela com meus pés, brincamos de escorregador sobre meus joelhos e por aí vai.

 

Os brinquedos ficam disponibilizados no quarto da Luiza. Nós organizamos cinco cestos pequenos e fazemos um rodízio dos brinquedos neles. Os demais ficam em grandes caixas plásticas, na altura dela, com livre acesso. Temos também um tapete que naturalmente norteia algumas brincadeiras.

 

Mas a gente brinca na casa toda! Temos um pequeno quintal/corredor e recentemente o pai da Luiza construiu um carrinho pra ela usando as rodinhas de um patins antigo, um quadro que não usávamos mais e uma corda. Ela amou, sobe no carrinho e brinca com ele nesse quintal, onde também fazemos bolinhas de sabão e chuá-tibum, uma brincadeira livre com água, piscininha, potinhos, geralmente quando está calor e precisamos lavar o quintal.

 

Quando brincamos fora de casa, fazemos de tudo um pouco. Parques públicos garantem o livre brincar e o contato com a natureza. Percebemos que ela gosta muito disso, e nós também. Brincamos ainda no espaço infantil de um shopping e o bacana é que podemos entrar junto com ela. Também procuramos espaços de brincar e oficinas adequadas à idade dela, geralmente na rede Sesc.

 

Organizamos nossa rotina diária para favorecer momentos de brincadeira, quando conseguimos parar todas as outras funções e brincar do que der vontade. Isso exige de nós uma escolha. Abrimos mão, por exemplo, de uma casa mais organizada ou mesmo de refeições muito elaboradas.

 

Por ser professora, carrego comigo a concepção de que brincar é essencial para o desenvolvimento da criança. Mas observando a Luiza desde o seu nascimento e verdadeiramente interagindo com ela percebi que essa prática vai muito além do “essencial para o desenvolvimento”. Brincar é algo poderoso, transforma, significa, ressignifica, cria vínculo. Observo que para a Luiza a brincadeira é um espaço de comunicação e interação com a gente, onde transbordam muitas das suas emoções, e sem dúvida, muitas das nossas também!

 

Eu brinquei bastante quando criança. Sozinha, com minhas duas irmãs mais velhas, com meu pais, avós e tios paternos. Guardo lembranças deliciosas. Nunca me esqueci da vez em que o meu avô me ensinou a jogar dominó, uma tradição na família. Eu era tão pequena que ele usou um dominó colorido. Minha avó deixava eu brincar de cabeleireiro, ela era a cliente. Meu pai brincava de serra-serra comigo e hoje brinco com a minha filha. Lembro dele me ensinando a jogar vôlei e futebol de botão. E do mercadinho que construímos na garagem.

 

Nossa inspiração para brincar com a Luiza vem em primeiro lugar da observação de quem ela é, do que ela gosta e de qual momento está vivendo. A partir daí usamos nosso próprio repertório e também ideias que vemos nas redes sociais. Agora estamos construindo um painel com rolos de papelão. Bolinhas e canudos serão jogados no circuito e cairão do outro lado.

 

Para mim brincar é enxergar, além do visível, quem o outro é.