Há quem pense que um patinho de borracha só serve para animar a hora do banho. Mas Isol, vencedora do prêmio Astrid Lindgren 2013, um dos mais prestigiados da literatura infantil, nos mostra que o brinquedo pode ter muito mais utilidades do que aparenta. Basta olhá-lo com outros olhos – e por outros ângulos.

Em Ter um patinho é útil, um menino encontra um patinho e o agarra. Se balança nele, coloca-o no nariz, usa como chapéu, como apito, como cachimbo e até como cotonete para enxugar as orelhas depois do banho… Mas alguém já perguntou o que patinho acha dessa história? Se dizem que Isol vê o mundo pelos olhos das crianças, pode-se dizer também que ela o observa pelos olhos dos patinhos.

É aí que está a originalidade deste livro. Quando se pensa ter chegado ao final da leitura, ao virar a última página, vem a gostosa surpresa: um outro livro – ou o mesmo livro, sob outra perspectiva. O outro lado da história.

Ao encontrar um menino – e ser agarrado por ele –, começa a brincadeira do patinho. Ele ganha massagem nas costas, beijinhos, usa o garoto como mirante e ainda encera o bico na orelha dele. Como se vê, assim como o patinho, o menino também tem inúmeras utilidades.

A partir de um jogo visual simples e muito divertido, a autora utiliza as mesmas ilustrações para mostrar que qualquer situação pode ter diferentes pontos de vista. A dualidade é reforçada também pelo projeto gráfico: o miolo sanfonado traz de um lado a visão do menino, sobre fundo amarelo, e do outro a visão do patinho, sobre fundo azul. As ilustrações feitas em computador – apenas um grosso contorno em preto, propositadamente imperfeito – guardam algo das garatujas infantis.

Com acabamento cartonado, prático e resistente, Ter um patinho é útil é ideal para a primeira infância, mas também para meninos e meninas mais crescidos, patinhos e gansos de qualquer idade.

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Ter um patinho é útil

Isol

Tradução: Emilio Fraia

Formato: 15 x 16 cm

Páginas: 32 pp. ilustradas