Quem disse que o caçador abre a barriga do lobo para tirar vovó e netinha no final de “Chapeuzinho Vermelho”? Aliás, quem disse que há um caçador na história? Em Contos da Mamãe Gansa ou histórias do tempo antigo, obra-prima do francês Charles Perrault, o leitor vai conhecer a primeira versão das histórias clássicas.

Pouco conhecida do leitor brasileiro, a expressão “Mamãe Gansa” popularizou-se na Europa para se referir às mulheres do campo que contavam histórias, transmitindo-as pela oralidade de geração em geração. Charles Perrault encarregou-se de registrá-las pela primeira vez em livro, em 1697. “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela Adormecida” e “O Pequeno Polegar” eram algumas das narrativas que ele contava aos filhos pequenos, dos quais cuidou pessoalmente depois da morte precoce da esposa.

Assim, os leitores poderão revisitar histórias como “O Gato de Botas” e “Cinderela ou A Gata Borralheira” – em versões um tanto diferentes das que se perpetuaram até nossos dias, carregadas no humor, no fantástico e na malícia – e ainda se surpreender com contos menos familiares, como “Riquet, o Topetudo”, e “Pele de Asno”.

A coletânea – composta por nove contos – foi traduzida pelo experiente Leonardo Fróes, que seguiu na íntegra o texto de 1697, com os contos em prosa e as morais em versos. Fróes conseguiu preservar o rigor e a pompa característicos da literatura do século de Luís XIV e ainda assim deixar a obra atemporal, aproximando-a do leitor brasileiro contemporâneo.

O projeto gráfico foi pensado de forma a sugerir nove livros dentro de um único volume. Para isso, a edição foi impressa em cinco tipos de papéis alternados e traz três fitilhos coloridos. As ilustrações do estúdio espanhol Milimbo, da dupla Olcina Bas e Juanjo G. Oller, também seguiu idealizada de forma independente para cada conto. Trini e Juanjo trabalharam com nove técnicas de ilustração diferentes: de desenhos à mão – em lápis de cor, grafite e canetinha hidrocor – a colagens, carimbos, cenários fotografados e ilustrações vetoriais feitas no computador. Habituados a trabalhar com contos da tradição oral, ilustrar os Contos da Mamãe Gansa representou um desafio a mais e exigiu um intenso trabalho de pesquisa e experimentações.

A edição, em capa dura e hot stamping dourado, no melhor estilo clássico, traz ainda um posfácio do escritor francês Michel Tournier, no qual aborda as diferenças entre novela, fábula e conto a partir da análise de “O Barba Azul”.

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Contos da mamãe gansa ou histórias do tempo antigo

Charles Perrault

Ilustrações: Milimbo

Tradução: Leonardo Fróes

Formato: 15,7 x 23 cm

Páginas: 176

Ilustrações: 65