Ops, da autora Marilda Castanha, um convite para que pais leiam com seus filhos desde o berço. Um desses livros formidáveis, simples para quem vê, mas engenhoso em sua concepção. Combina a repetição de uma mesma palavra – e todos os pais conhecem o famoso “de novo!” dos filhos, surgido da necessidade de ouvir as mesmas histórias, cantar as mesmas músicas, assistir aos mesmos filmes, como uma forma de compreensão e assimilação do mundo – com situações próprias do universo infantil. Afinal, que criança nunca derrubou a bola de sorvete no chão, levou uma lambida do cachorro ou quebrou algum objeto da mãe no meio do jogo de bola? Outra ousadia da autora: Ops traz nas páginas finais uma curta sequência narrativa, brincando com o livro dentro do próprio livro.

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A tipografia cria uma perfeita interação com a situação narrada: a palavra de fato torna-se a imagem. Assim, ao quebrar a “vidraça”, é a própria letra “o” da palavra “ops” que se estilhaça. As curvas da letra “s” traçam o caminho do cachorro eufórico ao encontro do menino. E brincar no balanço ao som de “oooooopppssss” é muito diferente de escorregar e… “oooooooops”. Um autêntico livro ilustrado para bebês.

Cada criança vai perceber toda essa complexidade à sua maneira – e no seu tempo. Nós tivemos a grata oportunidade de ler o Ops para a Luiza. Foi muito interessante ver a atenção dela a cada detalhe, o dedinho apontando uma ilustração, a necessidade de tocar o objeto, o esforço em repetir a palavrinha que tanto dizíamos: “ooops”. Ele colocou na boca? Claro. Ela manuseou, apontou, brincou, jogou… leu com as mãos.

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Comprovamos na prática que a razão mais importante da leitura para o bebê, no entanto, é a troca afetiva que se dá nesse momento. Afinal, esse gesto tão íntimo pressupõe o colo, o carinho, o cuidado em criar um ambiente acolhedor e escolher um livro estimulante – como Ops. Os leitores de primeira viagem agradecem.

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