João Felizardo, o rei dos negócios é considerado pela própria autora, Angela Lago, seu projeto mais maduro. Editado originalmente no México, o livro é uma releitura de um conto clássico – dentre as várias versões há uma dos Irmãos Grimm – pelo olhar de uma das escritoras e ilustradoras mais respeitais nacional e internacionalmente, que, infelizmente, nos deixou no último domingo.

O rei dos negócios demonstra como é possível enriquecer sem acumular nenhum bem material. Felizardo – ele leva a felicidade até no nome – não considera nem a morte uma perda por completo (é o começo da transformação). Desta forma se inicia a saga do personagem: no cemitério, recebe de herança uma moeda, que troca por um animal, e troca por outro e por outro… Ele aprende, com estas trocas, que a riqueza está justamente na brevidade e na simplicidade: em um porco sossegado, em uma cabra esperta e, mais ainda, em uma leve pena – ou naquilo que ela simboliza. Assim, além de uma leitura enriquecedora, o livro mostra-se uma ótima ferramenta para trabalhar a oposição entre aparência e essência, o valor simbólico e até um tema bastante discutido entre pais e professores: o consumismo infantil.

O formato do livro faz jus à grandeza e à qualidade das ilustrações. Na medida em que Felizardo efetua as trocas, o texto torna-se mais enxuto, enquanto as ilustrações, com cores fortes e pinceladas firmes, preenchem o branco das páginas. Talvez a intenção da autora seja justamente mostrar que Felizardo enriquece ao se desprender dos bens – assim como das palavras que os definem. Ao final, sobram apenas o rei dos negócios e um céu tão imenso quanto um segundo de felicidade.

João Felizardo, o rei dos negócios é um livro delicado, comovente e, ao mesmo tempo, intenso. Um clássico da nossa literatura infantil.

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João Felizardo, o rei dos negócios

Angela Lago

Formato: 21,6 x 30,2 cm

Páginas: 32