Estávamos um domingo em casa, naquela farra com a criançada, e, bem na hora do lanche da noite, acabou a luz. Passada a gritaria e a euforia inicial, sentamos para comer à luz de velas, o que já teria sido muito divertido por si só. Mas, quando me dei conta de que o papel toalha havia acabado e o tubo de papelão estava dando sopa em cima da pia da cozinha, propus a brincadeira: e se a gente brincasse de telefone sem fio usando o tubo? Todo mundo topou na hora (inclusive os adultos)!

Como já estávamos sentados em volta da mesa, foi fácil de organizar tudo. Os menorzinhos não conheciam a brincadeira, então, expliquei como funcionava: uma pessoa fala algo (uma palavra ou uma frase) bem baixinho no ouvido de quem está a seu lado direito. Esta, por sua vez, repete o que escutou no ouvido de quem estiver à sua direita, e assim por diante, até que a última pessoa, a que estiver à esquerda de quem começou, fala em voz alta a mensagem que chegou até ela (é bem provável que não seja exatamente a frase que iniciou o jogo, e aí está a graça da brincadeira).

No nosso caso, incrementamos o “telefone” com o tubo de papel: uma pessoa falava de um lado do tubo enquanto a outra posicionava o ouvido na outra extremidade para tentar escutar a mensagem. Não demorou e o tubo já estava sendo avidamente disputado pelas crianças: todas queriam inventar a mensagem para começar a brincadeira. A Sofie, que acabara de ter suas primeiras aulas de inglês na escola, não teve dúvidas: lançou um “one, two, three, four, five”, com a pronúncia de uma criança de três anos, e a mensagem que chegou ao último jogador, completamente incompreensível, gerou uma gargalhada coletiva. Logo elas começaram a mudar as frases de propósito, tirando sarro, falando coisas do tipo “a vovó tem chulé”, só para garantir a risada no final.

E assim passamos um tempão brincando, até que a luz voltou e cada um seguiu para a sua casa. Uma noite escura que se tornou muito iluminada (e animada!), da qual certamente eles não se esquecerão.